Consolo na praia


"Vamos, não chores.

A infância está perdida.

A mocidade está perdida.

Mas a vida não se perdeu.

O primeiro amor passou.

O segundo amor passou.

O terceiro amor passou.

Mas o coração continua.

Perdeste o melhor amigo.

Não tentaste qualquer viagem.

Não possuis carro, navio, terra.

Mas tens um cão.

Algumas palavras duras,em voz mansa, te golpearam.

Nunca, nunca cicatrizam.

Mas, e o humour?

A injustiça não se resolve.

À sombra do mundo errado murmuraste um protesto tímido.

Mas virão outros.

Tudo somado, devias precipitar-te, de vez, nas águas.

Estás nu na areia, no vento...

Dorme, meu filho".


Carlos Drummond De Andrade.

Sem tempo para os mediocres.


“... Sem tempo para lidar com mediocridades.

Não quero estar em lugares onde desfilam egos inflados.

Não tolero gabolices.

Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte...

Lembrei-me agora de Mário de Andrade que afirmou: "as pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos".

Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência,

Minha alma tem pressa.”


Rubem Alves.

Liberdade.


"A liberdade é defendida com discursos,

e atacada com metralhadoras."


Carlos Drummond de Andrade.

O pouso da "boborleta"


"Alheias nossas palavras voam.

Bando de borboletas multicores, as palavras voam.

Bando azul de andorinhas, bando de gaivotas brancas,as palavras voam.

Voam as palavrascomo águias imensas.

Como escuros morcegos como negros abutres, as palavras voam.

Oh! alto e baixo em círculos e retas acima de nós, em redor de nós as palavras voam.

E às vezes pousam."


Cecília Meireles.